Mal de Altitude (Soroche)

Mal de Altitude - Dica de ViagemO que é o mal de altitude?

O mal de altitude é um conjunto de manifestações clínicas que ocorrem por uma redução brusca na oxigenação sanguínea (hipóxia), geralmente quando a altitude ultrapassa 2000 metros, sendo mais intensa nos que moram no nível do mar. A hipóxia ocorre pela redução da pressão atmosférica proporcional à elevação da altitude: a diferença entre a pressão dentro do nosso corpo e a do ambiente é então reduzida, dificultando a captação adequada do oxigênio.

Inicialmente nosso organismo responde à menor oxigenação com o aumento da frequência respiratória, cardíaca e da pressão arterial na tentativa de minimizar ao máximo a hipóxia. Os estímulos por trás desses mecanismos levam, em contrapartida, à redução de água circulante, provocando desidratação. Esse conjunto de alterações leva aos sintomas mais comuns: dor de cabeça, tontura, mal estar, alteração do sono, leve falta de ar ao esforço, náuseas e vômitos. Cabe ressaltar que os sintomas podem demorar algumas horas para se manifestarem e, portanto, pode-se ter a falsa sensação de bem estar.

Paralelamente, os vasos do pulmão e cérebro alteram seu calibre o que pode levar, raramente, a duas situações gravíssimas relacionadas ao extravasamento de líquido: edema cerebral (alterações de marcha, comportamento e sonolência) ou pulmonar (hipóxia severa, falta de ar, tosse e febre baixa o que pode confundir como uma infecção respiratória).

Como prevenir?

Conforme descrito acima, o mal da altitude (soroche para os andinos) é muito mais que um simples mal estar transitório. Não há como prever quanto você será afetado por ele. Conhecemos duas pessoas (ambas saudáveis) que não fizeram a prevenção adequada e passaram todos os dias no hotel em Cusco, arruinando a viagem.

Não poderíamos, especialmente como médicos, deixar de reforçar a importância de uma consulta com seu médico – um clínico ou um infectologista especialista em medicina de viagens. Existem doenças que aumentam (e muito) o risco de complicações do mal da altitude ou, ainda, podem ser descompensadas pela mudança brusca de altitude. Portanto, para esse grupo é imprescindível uma conversa com seu médico para avaliar os riscos e benefícios.

Após entender o que é o mal de altitude, não fica muito difícil compreender as medidas para reduzir os sintomas:

  • Ascensão gradual, ou seja, a cada dia atingir uma altitude um pouco maior do que a do dia anterior, evitando elevações bruscas, facilitando a aclimatização.
  • Ingestão abundante de líquidos: reduz desidratação.
  • Evitar comidas de difícil digestão: opte por massas leves, por exemplo.
  • Evitar bebidas alcoólicas: reduz desidratação e alterações neurológicas e respiratórias.
  • Evitar esforços grandes, mesmo que não esteja sentindo nada. Opte por um ritmo mais lento.
  • Embora não existam estudos específicos com os chás de coca, muitas pessoas afirmam que se sentem melhor.
  • Avaliar com seu médico ajustes temporários em remédios que afetem funções neurológicas, respiratórias e cardiovasculares.
  • Dê tempo para a aclimatização ocorrer, ou seja, no primeiro dia (e se possível no segundo) opte por caminhadas curtas (ex: museus), refeições leves e uma boa noite de sono.
  • Saiba o seu limite: não está bem, não insista. Você vai piorar! Descanse e tente mais tarde ou em outro dia a atividade desejada.
  • Em casos selecionados, o uso de oxigênio (disponível em muitos hotéis) pode ajudar a minimizar a hipóxia.
  • Não recomendamos o uso das soroche pills, pois contêm componentes que podem ser contraindicados por alergia ou por algumas condição preexistente.

Existe, ainda, medicação adequada para prevenir e tratar os sintomas. Por questões legais e éticas, tendo em vista a individualidade de cada viajante, não podemos mencioná-las aqui. Podemos dizer que com o uso da medicação, Silvia teve apenas um discreto mal estar em Cusco e nenhum no Atacama.

Por fim, sabendo do que pode ocorrer, planeje alguma flexibilidade em viagens para altitude elevadas. Se algo acontecer, pode ser possível não perder todo (ou mesmo nada) do passeio. E, mesmo que não tenha nenhum sintoma, terá o tempo suficiente para fazer tudo com muita calma.

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Thiago Carvalho

Carioca, casado, 30 anos, médico, amante da natureza e apaixonado por viagem, de Itaipava no fim de semana ao Bungee Jumping na Nova Zelândia. Volta de uma viagem com o roteiro pronto para a próxima.

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2 Resultados

  1. Nós tomamos o Soroche Pills e achamos que foi a nossa salvação na nossa viagem para o Peru!
    Graças a Deus que nenhum dos dois era alérgico…hahaha
    Bjos

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