Machu Picchu, a cidade perdida, e Huayna Picchu

Conforme explicamos no roteiro de CuscoMachu Picchu é uma das ruínas incas mais incríveis e sua visita é imperdível. Machu Picchu significa Velha Montanha (em quechua) e foi construída no século XV, tendo sido habitada por quase 100 anos. Provavelmente pela invasão espanhola, os incas abandonaram a cidade que permaneceu escondida por séculos protegida pelo relevo extremamente acidentado até sua “descoberta” pelo norte-americano Hiram Bingham em 1911 – há controvérsias e alguns defendem que um peruano, no início de 1900, foi quem descobriu. É considerada Patrimônio Mundial e, por isso, a visitação é tão controlada. Vale a lembrança do cuidado individual com o lixo e com as ruínas.

Pouco se sabe e muito se especula sobre o papel de Machu Picchu no Império Inca. Pela grandiosidade e aspecto das construções – à prova de terremotos, acredita-se que tenha sido um local de estudos astronômicos e de adoração dos deuses -, relógios solares, zonas agrícolas, moradia, templos, anfiteatros, pedras entalhadas que lembram o cruzeiro do sul e o relevo das montanhas que circundam a citadela… é fascinante! E o mais incrível: nunca foi concluída! Especula-se, inclusive, que a proposta do uso do granito era para conservar as energias.

Qual a melhor época para ir a Machu Picchu?

A melhor época é de maio até setembro, sendo que abril e outubro são meses um pouco mais arriscados, pois, a partir do início de abril até o fim de outubro, temos um período de maior seca, o que reduz as chances de chuvas e até mesmo bloqueios que impeçam ou atrapalhem a visitação à citadela.

Quanto tempo ficar em Machu Picchu?

Tudo dependerá da opção escolhida de passeio:

  1. Trilhas Inca: para os aventureiros. A trilha clássica são quase 50km a pé em 4 dias sem qualquer luxo. É fundamental reservar com antecedência. Existem, ainda, inúmeras variações mais longas ou curtas para atender os mais variados espíritos e preparos físicos.
  2. Bate e volta: para os que desejam visitar apenas Machu Picchu, sendo recomendado ir no horário mais cedo do trem e retornar no último horário. Pode ficar justo e, portanto, não é nossa principal recomendação!
  3. Pernoite em Águas Calientes (ou Ollantaytambo): para os que desejam fazer Machu Picchu com folga e segurança ou a citadela com Huayna Picchu ou Montaña.
    1. Podem ir cedo em um dia e retornar apenas no dia seguinte (nosso caso), o que permite duas visitas a Machu Picchu.
    2. Podem ir no final do dia, geralmente a partir da estação de Ollantaytambo durante o passeio do Vale Sagrado, para já acordarem lá ou saírem bem cedo de Ollantaytambo. É uma excelente opção, mas compromete o final do passeio do Vale Sagrado, conforme explicamos no roteiro de Cusco!

Como escolher entre os três?

Primeiro é preciso decidir se deseja ou não subir a Montaña (Machu Picchu) ou Huayna Picchu (também chamada de Waynapicchu), pois implica na compra do ingresso, e refletir sobre o tempo para visitação (funciona de 6h às 17h):

  1. Visita apenas à citadela: a duração dependerá do circuito escolhido (mais completo ou mais compacto!) e da disponibilidade de tempo que está relacionada ao horário de chegada e partida do trem, mas o tempo necessário para o mais completo é em torno de 4 horas.
  2. Visita à citadela + Montaña Machu Picchu (dois horários para a subida). Passeio para o dia inteiro. A subida é cansativa e feita em cerca de 1h30, mas permite fotos espetaculares.
  3. Visita à citadela + Huayna Picchu (dois horários para a subida). Passeio para o dia inteiro. Essa é a opção com menos ingressos e também a mais concorrida. Portanto, sugerimos a compra antecipada (se possível meses antes). A subida é íngreme e cansativa, realizada de 45min a 1h, mas para os que estão dispostos vale cada esforço. Além da vista sensacional, existem ruínas e templos a serem explorados no topo.

Como chegar em Machu Picchu?

Além da Trilha Inca, existem duas possibilidades:

  1. Trem a partir da estação de Poroy (a 20min de Cusco de táxi) ou San Pedro (no centro de Cusco) com duração de 3 horas. A estação varia com a companhia e o tipo de trem.
    1. No período das chuvas (e manutenção dos trilhos!), há a combinação de ônibus, a partir de Cusco, e trem – a própria companhia de trem faz o deslocamento do ônibus, ou seja, a compra é a mesma, apenas alonga a viagem habitual de trem. Foi o nosso caso!
  2. Trem a partir da estação de Ollantaytambo (os passeios que fazem o Vale Sagrado te deixam na porta) com duração de 1h30.

O deslocamento de trem pode ser realizado através de duas empresas que funcionam bem e a compra é online (também recomendamos antecedência):

  1. Perurail (três tipos diferentes de trem):
    1. Expedition: opção mais econômica.
    2. Vistadome: com grandes janelões laterais e superiores – ótimo para apreciar a vista. Foi o que fizemos!
    3. Hiram Bingham: opção alto luxo (e preço) que inclui ingresso, translado e guia na citadela, além de um chá no luxuoso Belmond Sanctuary Lodge.
    4. Sacred Valley: opção de luxo para os que partem de Ollantaytambo.
  2. Incarail: possui quatro classes diferentes.
Perurail - Machu Picchu - Peru
Trem Vistadome
Perurail - Machu Picchu - Peru
Janelões laterais e superiores
Ponte Inca - Machu Picchu - Peru
Ponte Inca no trajeto
Deslocamento Trem - Machu Picchu - Peru
Pela margem do Urubamba

Como comprar os ingressos?

Os ingressos são vendidos diretamente pelo Ministério da Cultura do Peru pela internet e o pagamento pode ser via Visa ou Mastercard, sendo necessário o uso do Verified by Visa ou o Mastercard Secure Code. Portanto, entre em contato com o banco emissor do cartão para verificar se tudo está habilitado e cadastrado.

O site é super amigável e mostra em tempo real o preço e o número de ingressos disponíveis para uma determinada data e passeio. Também é possível comprar diretamente em Cusco, mas recomendamos a compra antecipada!

É necessário guia para Machu Picchu?

Não é necessário, mas é extremamente recomendado. Contratamos no hotel um guia particular (apenas para nós!) e foi sensacional. É possível contratar diretamente na cidade ou na entrada da citadela, com opção de dividir com outros viajantes o custo. De uma maneira ou de outra, grande parte do encanto é compreender o significado e as peculiaridades dos diferentes locais visitados e, portanto, sem um guia isto não será possível!

E a altitude?

Machu Picchu fica a 2400 metros, 1000 metros abaixo de Cusco. Logo, a altitude causa muito menos sintomas, sobretudo se já estiver há alguns dias em Cusco! De toda forma, leia nossas dicas para reduzir os sintomas do Mal da Altitude.

O que levar para Machu Picchu?

Não é necessário (e nem recomendado) levar suas malas. Deixe no hotel de Cusco – eles estão acostumados com essa prática e guardam sem problemas. Se for passar a noite, leve apenas o mínimo para o período em uma mochila (inclua capa de chuva e casaco) e lembre-se que estará carregando esse peso no passeio!

Como ir de Aguas Calientes para Machu Picchu?

Existem duas alternativas:

  • Ônibus: caro, mas necessário, com saídas a cada 15 minutos por ordem na fila. O trajeto sinuoso é percorrido em aproximadamente 20 minutos.
  • A pé: duração entre 45 minutos e 2 horas.

Onde ficar em Aguas Calientes?

Nossa escolha do hotel foi super difícil, pois os preços estavam abusivos embora não fosse alta temporada. Ficamos no Hotel Taypikala Machupicchu com quarto e o banheiro enormes, mas manutenção a desejar e mais distante da estação.

Existem diversas opções (veja todos aqui). Recomendamos os cinco estrelas Sumaq Hotel, Belmond Sanctuary Lodge (o único hotel que fica realmente em Machu Picchu – a poucos metros da entrada da citadela, o que permite ver o pôr-do-sol) e o Inkaterra, os quatro estrelas Tierra Viva, El MaPi e Casa del Sol e os três estrelas Casa Andina, Susanna Inn e Inti Punku.

Onde comer em Aguas Calientes?

Na noite em Aguas Calientes jantamos no Indio Feliz, um restaurante franco-peruano super charmoso com bom custo-benefício e uma decoração acolhedora. Pedimos uma sopa de cebola e uma sopa creolla de entrada, uma massa e uma carne. Excelente! Sugerimos reserva, pois é concorrido.

Indiofeliz - Aguas Calientes - Machu Picchu - Peru
Indiofeliz - Aguas Calientes - Machu Picchu - Peru

O que fazer em Aguas Calientes?

Aguas Calientes é uma cidade dormitório com uma estação de trem, uma pequena feira de artesanato próxima à estação (cara!) e uma praça, além dos hotéis e restaurantes. Existem algumas casas de banho termal, mas as piscinas são rasas e de aspecto sujo – não recomendamos. Não deixe de visitar a praça principal (Plaza Manco Capac), com a simpática Iglesia Virgen del Carmen, e o monumento representativo da trilogia Inca.

Aguas Calientes - Machu Picchu - Peru
Igreja da cidade
Aguas Calientes - Machu Picchu - Peru
Monumento que representa o inca e a trilogia espiritual Inca: o Condor, o Puma e a Serpente

O que visitar em Machu Picchu?

Como consequência da ação humana sobre o santuário, as autoridades peruanas restringiram a visitação a três circuitos, sendo que não é possível trocar ou retornar após escolhido, além de duas atrações menos visitadas que possuem livre fluxo. A diferença entre os circuitos é basicamente o tamanho do percurso, de modo que o mais curto está contido no intermediário que, por sua vez, está contido no mais completo.

Quando estivemos não existia esta restrição e nosso guia nos mostrou e contou tudo que precisávamos saber sobre o local desde o lugar de onde vieram as pedras até o abandono e descoberta por Hiram Bingham no início do século XX, passando por templos, anfiteatros, construções sagradas e áreas de estudo astronômico! Abaixo algumas fotos de pontos-chave da visitação.

Machu Picchu - Peru
Machu Picchu - Peru
Machu Picchu - Peru
Zona Urbana
Machu Picchu - Peru
Portais
Machu Picchu - Peru
Pedra Sagrada
Machu Picchu - Peru
Anfiteatro

No final do tour, aproveitamos o belo dia para fazer a trilha para a ponte inca – incrível a capacidade de construção em penhascos!

Machu Picchu - Peru

Outra constatação – coincidência ou não – é que as montanhas apresentam a forma de um rosto voltado para os céus, lugar dos espíritos e deuses segundo as crenças incas, o que poderia justificar o local da cidade sagrada.

Machu Picchu - Peru

Visitando Huayna Picchu (ou Waynapicchu)

No segundo dia acordamos bem cedo para fazer a subida para Huayna Picchu no primeiro grupo (7h-8h). Fizemos o check-out e pegamos o ônibus para chegar à entrada da citadela! Estava um verdadeiro temporal e a neblina encobria tudo. Não tínhamos alternativa a não ser acreditar que o tempo mudaria.

Huayna Picchu - Machu Picchu - Peru
Huayna Picchu é aquela montanha lá no fundo. Em primeiro plano, o anfiteatro.

A subida foi cansativa, sobretudo com o peso extra na mochila e roupas encharcadas. O trajeto durou quase 1h e, embora tivesse parado de chover, a neblina continuava.

Huayna Picchu - Machu Picchu - Peru

Aproveitamos para desbravar as ruínas e templos existentes no topo. É claro que isso implicou em mais subidas e, inclusive, passagens pelo meio de verdadeiras cavernas. Tudo valeu a pena! O visual e a riqueza das construções são indescritíveis!

Huayna Picchu - Machu Picchu - Peru

Passado algum tempo fomos presenteados com a redução expressiva da neblina e a vista da citadela foi deslumbrante!

Huayna Picchu - Machu Picchu - Peru
Huayna Picchu - Machu Picchu - Peru

Assim como o Rio Urubamba e a Floresta Amazônica.

Huayna Picchu - Machu Picchu - Peru

Fomos os últimos do primeiro grupo a retornar e aproveitamos para contemplar com a calma que o dia anterior não permitiu a citadela e a belíssima natureza ao seu redor.

Machu Picchu - Peru
Machu Picchu - Peru
Machu Picchu - Peru
Machu Picchu - Peru

Descemos às 15h30 para pegar o trem das 17h sem pressa em direção a Cusco. Serviram um lanche e fizeram uma apresentação folclórica no retorno (também pelo Perurail Vistadome).

Gostou do roteiro e das dicas? Faça suas reservas pelas caixas de pesquisa na lateral, nos links ao longo do post ou clique para reservas de hospedagem no Booking. Você não paga nada a mais por isso e nos ajuda a manter o site. Obrigado!

Thiago Carvalho

Carioca, casado, 33 anos, médico, amante da natureza e apaixonado por viagem, de Itaipava no fim de semana ao Bungee Jumping na Nova Zelândia. Volta de uma viagem com o roteiro pronto para a próxima.

22 Resultados

  1. Anna Claudia Rodrigues Santos disse:

    Que saudade dessa viagem… Peru é lindo demais e Machu Picchu é a minha maravilha do mundo preferida até o momento! Queria ter subido a Huayna Picchu, mas na época não me organizei com a antecedência necessária para comprar o ingresso. Uma delícia reviver essa viagem com seu post!

  2. Maiara Barbosa disse:

    Adorei as fotos e as dicas. Sempre quando ouço falar de Machu Picchu fico pensando nos deslocamentos e vi que existem algumas opções. Ainda assim, vocês acham que é um passeio que dá pra fazer por conta ou é melhor contratar os serviços de uma agência?

  3. Luisa Galiza disse:

    Ah que saudade dessa terrinha…. um adica que eu tenho pra acrescentar é a Montanha Putukusi, que fica em Águas Calientes e poucos conhecem. Tem uma vista única de MP e como subimos nela antes de conhecer a cidade perdida, é simplesmente mágico!

  4. nicole disse:

    aaah que sonho fazer essa viagem! não sei se tenho preparo pra subir na huayna picchu, mas quero subir, e sei o quanto é dificil conseguir comprar, então tem que ser bem organizadinho mesmo! quero conhecer logo!

  5. Manuela disse:

    Fui a Machu Picchu em 2009 e quero muito voltar para fazer as trilhas. Fiz bate e volta de Cusco e queria uma experiência diferente agora.

  6. Renata Telles disse:

    Um dos destinos da minha listinha… Sempre digo que vou pra Machu Picchu e acabo indo para outro lugar. Adorei as dicas (mas nao sei se aguentariaaaaa pois sou muito sedentaria.. hahahaha). Acho que teria q me exercitar um mes antes ne?! rs

  7. Alice disse:

    Oi,
    Fizemos a viagem para o Machu Picchu em 2014, grávida de 5 meses, e ainda sem filhos.
    Na época, fomos de Cusco até Águas Calientes de trem. E, não conseguimos ir até o Wayna Picchu por falta de disponibilidade. Seu post é de 2016, sabe se desde as entradas estão mais limitadas ? Quando foi, fez a trilha de 4-5 dias ?

    • Olá Alice. O post é de 2016, mas fomos em 2014 também…
      No entanto, alguns amigos nossos estiveram lá recentemente e atualizamos o post também há pouco tempo: as entradas são mais limitadas e há a obrigatoriedade de guia, sem permitir a visitação livre como era na época em que estivemos!
      Quanto à trilha, não fizemos! Fomos de trem também.

  8. Livia Melo disse:

    Que incrível esse passeio, Machu Picchu é sonho! Mas é muito puxado para quem é sedentário?

  9. Danielle disse:

    Quando fui, não tinha o passeio para Huyana Picchu ou, não me chamou atenção na época, por poucos terem realizado a subida.
    Nossa, como sobe!
    Você acha que é um passeio indispensável? Sentiu o mal da altitude?

  10. STHEFANIA MEMELLI PEIXOTO disse:

    Eu fiz a trilha de Huayna Picchu e amei, mas tive uma certa dificuldade com questões respiratórias, pois sou asmática. Com carinho e fazendo paradas, deu tudo certinho. Amei o visual e as fotos que tirei, mas não achei indispensável, uma pessoa fica feliz e realizada só de conhecer o sítio também. O que vocês acharam?

    • Que bom que deu tudo certo!
      Com certeza ir a Machu Picchu é uma realização por si só, mas achamos que para aqueles que não possuem problemas de saúde e se prepararam, a vista de Huayna é espetacular, além da percepção e experiência de como os incas fizeram tudo aquilo há tanto anos.

  11. Mari disse:

    Sabem se tem o que fazer depois que o parque fecha em águas calientes? Não vamos dormir, mas só conseguimos passagem de trem para 21:00… pensamos em jantar antes de retornar a Cusco

    • Boa noite Mari. Conforme detalhamos ao longo do post, em Aguas Calientes existem algumas (poucas) atrações na cidade e temos algumas dicas de restaurante.
      Quando estivemos, dormimos um dia e adoramos o que visitamos (no final do post tem algumas fotos!). Acredito que sua opção de jantar e depois embarcar será ideal!
      Qualquer dúvida estamos à disposição.

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