Atacama: As maravilhas de um deserto colorido

Conforme expliquei no post do Chile, fui ao Deserto do Atacama duas vezes: em janeiro de 2011 com meus pais e em setembro de 2012 com a Silvia. Embora o intervalo tenha sido pequeno, foram duas experiências bem distintas que permitiram observar diferenças significativas nas paisagens do início da primavera e meados do verão (destacarei nas fotos e comentários!). Como já mencionei, adoro ecoturismo e já fui para muitos lugares escondidos no mundo em busca de paisagens indescritíveis, mas certamente o Atacama está no topo das mais encantadoras e diferentes do mundo!

Qual a melhor época para ir ao Atacama?

O Deserto do Atacama pode ser visitado o ano todo, pois é o deserto mais seco do mundo (em algumas regiões, há quase meio milênio não chove!). Contudo, as paisagens e a temperatura mudam bastante: no verão (dezembro a fevereiro) as temperaturas são altas durante o dia (chegam próximo a 40ºC) e amenas à noite (em torno de 10ºC), enquanto no inverno (junho a agosto) amenas durante o dia e frias à noite (próximo de 0ºC), sobretudo nas maiores altitudes. Além disso, na primavera (setembro a novembro), assim como na Patagônia, os dias e noites são amenos o suficiente, a cidade está menos abarrotada de turistas e as paisagens ainda possuem muitos resquícios do inverno, com áreas nevadas nas montanhas.

Quanto tempo ficar no Atacama?

San Pedro do Atacama, a cidade-base, é bem pequena e não possui muitos atrativos, conforme descreveremos abaixo. No entanto, existem diversos passeios que contemplam paisagens muito distintas em cada um. Por isso, não justifica ir tão longe sem aproveitar o máximo. Desta forma, o tempo mínimo recomendado é de cinco dias inteiros.

Como chegar ao Atacama?

A região do Deserto do Atacama está localizada a mais de 1500km de Santiago (ou 2h de voo). Por isso, recomendamos ir de avião para o aeroporto mais próximo – na cidade de Calama – a 100km (1h30) do povoado de San Pedro de Atacama (cidade-base para os passeios), com apenas 2000 habitantes, mas uma ótima infraestrutura turística.

Como explicamos no post de Santiago, dependendo do horário de partida do voo, pode valer a pena um pernoite em um dos hotéis do aeroporto da capital chilena. O translado até San Pedro pode ser contratado com antecedência ou na chegada ao aeroporto. Nas duas vezes optamos por contratar por email tanto a ida como a volta (há desconto na compra dos dois trechos).

Não recomendamos aluguel de carro, pois os passeios são feitos no meio do deserto sem qualquer sinalização e, portanto, seria arriscado fazer por conta própria – além de perder algumas explicações e pontos bem legais!

Onde ficar no Atacama?

A cidade de San Pedro é muito pequena, com hotéis (veja todos aqui) para todos os gostos e bolsos. Sugerimos ficar próximo da Caracoles (principal rua!), onde você encontrará as principais agências de turismo e restaurantes, ou seja, poderá fazer tudo a pé e andando muito pouco.

Na primeira visita fiquei no Terrantai Lodge (em uma transversal do meio da Caracoles) e, na segunda, no Poblado Kimal (no início da Caracoles). Os dois foram excelentes, com ótimo custo-benefício. O café da manhã do Terrantai era melhor, mas gostei mais do estilo de quarto do Poblado (chalés individuais de ótimo tamanho!) e do lunch box para os dias de passeio que saem antes do horário do café. Outra sugestão é o Hotel Pascual Andino.

No entanto, assim como na Patagônia, existem hotéis all-inclusive excepcionais (e caríssimos!) que incluem o transfer e até mesmo os passeios, como o Alto Atacama Desert Lodge & Spa, Explora Atacama, Hotel Cumbres San Pedro de Atacama e o Tierra Atacama. Outras sugestões de hotéis mais simples, mas ótimos são o Hotel Pascual Andino, Hotel Jardin e Hotel Desertica.

Hotel Poblado Kimal - San Pedro de Atacama - Deserto do Atacama
Chalés do Poblado
Hotel Poblado Kimal - San Pedro de Atacama - Deserto do Atacama
Chalés do Poblado

Que roupas levar para o Atacama?

Independente da época que vá, não se esqueça de levar roupas leves, tênis/calçados de trekking confortáveis, bonés/chapéus, protetor solar e labial, calças confortáveis, casacos e jaquetas corta-vento. Como explicamos, mesmo no verão faz frio e mesmo no inverno faz calor, e o sol é sempre escaldante! A tarefa de preparar a mala é difícil, pois deve contemplar os diferentes climas independente da época da visita.

Quais os cuidados com a altitude?

Um dado fundamental é o fato de San Pedro estar a 2400 metros de altitude e alguns passeios chegarem próximo aos 5000 metros. Portanto, alguns cuidados devem ser tomados (veja em Mal de Altitude), além de uma cautelosa escolha da ordem dos passeios. No entanto, diferente de Cusco (a 3400 metros), o incômodo é menor pela maior possibilidade de aclimatização em San Pedro e menor tempo nas grandes altitudes (algumas horas).

Como fazer os passeios do Atacama?

Os passeios podem ser contratados diretamente na cidade, não sendo necessária reserva prévia. São inúmeras agências e fechar o pacote completo de todos os dias com uma pode render um bom desconto. Existem algumas mais famosas como Layana e Grado10, mas nas duas viagens fizemos com agências menores seguindo a empatia, a conversa e as fotos na agência e não nos arrependemos. Na segunda vez, como era baixa temporada, fizemos quase todos os passeios com no máximo mais 2 casais em um 4×4! Na maior parte dos passeios é necessário pagar a entrada do Parque Nacional, portanto leve dinheiro em espécie.

Roteiro do Deserto do Atacama Resumido

Nossa sugestão de roteiro (e como fizemos da segunda vez!) é:

Obs: Optamos por separar os passeios em outros posts pela quantidade de fotos de cada um (clique nos links acima)! Os detalhes para as atrações da cidade e ruínas seguem no roteiro detalhado, logo abaixo neste post.

Existem, ainda, alguns passeios alternativos caso tenha mais tempo:

  • Termas de Puritama: não fiz em nenhuma das duas visitas, mas muitos viajantes curtem bastante para relaxar em meio às paisagens lindas do Atacama!
  • Salar de Uyuni (na Bolívia)
  • Escalada aos vulcões

Roteiro Diário e Detalhado!

Bom, dúvidas sanadas, vamos à viagem! Descreverei baseado na última visita, com comentários sobre eventuais diferenças relevantes para a primeira. Depois de um pernoite no aeroporto de Santiago no Holiday Inn Santiago – Airport Terminal (primeira vez) e Hilton Garden Inn Santiago Airport (na segunda), embarcamos bem cedo para o voo de 2h com destino à Calama. Pouco antes do pouso, prepare-se para fotos espetaculares do deserto!

Do Aviao - Deserto do Atacama

O aeroporto de Calama é bem pequeno e simples – o suficiente para o embarque e desembarque. A pista fica a poucos passos do terminal.

Aeroporto - Calama - Deserto do Atacama

Antes de sair do desembarque, você encontrará alguns quiosques das empresas que fazem o transfer para San Pedro de Atacama. Nas duas vezes reservamos na Licancabur e tudo funcionou perfeitamente. O translado de quase 1h30 é feito em uma excelente estrada com belas paisagens de horizonte infinito.

Estrada Calama a San Pedro de Atacama - Deserto do Atacama

Chegamos por volta de 9h30, deixamos as malas no hotel e após poucos passos estávamos na Caracoles, principal rua da cidade. Ao mesmo tempo em que íamos conhecendo e passeando pela cidade, entramos em várias das inúmeras agências de turismo para cotar os passeios.

Caracoles - San Pedro de Atacama - Deserto do Atacama
Caracoles
Caracoles - San Pedro de Atacama - Deserto do Atacama
Caracoles – Restaurante Blanco à esquerda

Aproveitamos, ainda, para pagar o já reservado Tour Astronômico (Caracoles 166). Existem algumas opções novas de observação espacial, mas adoramos a experiência proporcionada pela empresa SPACE – transfer até um centro de onde são visualizados a olho nu (com ajuda de um laser fantástico que parece chegar às estrelas!) e com telescópios, constelações, estrelas e planetas. Tudo é muito bem explicado (o idioma varia com o dia, sendo escolhido na hora da reserva)! Imperdível! O passeio dura quase 3h e o horário de saída varia com a estação do ano. Vale ressaltar que as condições de observação espacial na região do Atacama são espetaculares – existe inclusive o ALMA, um projeto em colaboração com diversos países do mundo para o estudo espacial.

Aproveitamos para visitar a Igreja de San Pedro de Atacama, o Museu Arqueologico e a praça principal da cidade, onde almoçamos no simples, mas super agradável La Plaza (La Plaza 315) – ótimo para tomar um drink como um pisco sour (a caipirinha andina!) – e observar o movimento.

Igreja - San Pedro de Atacama - Deserto do Atacama
Igreja
Museu - San Pedro de Atacama - Deserto do Atacama
Museu Arqueológico
Praca - San Pedro de Atacama - Deserto de Atacama
Praça
Restaurante La Plaza - San Pedro de Atacama - Deserto do Atacama
Restaurant La Plaza
Restaurante La Plaza - San Pedro de Atacama - Deserto do Atacama
Prato do dia (típico Chorrillana) com taça de vinho

Duas fotos que não podem faltar são: do imponente vulcão Licancabur e das lhamas andando pela cidade.

Vulcao Licancabur - Deserto do Atacama
Praca - San Pedro de Atacama - Deserto de Atacama

Por volta de 16h pegamos a van para o passeio do Valle da la Muerte e do Valle de la Luna. Uma alternativa para os bem preparados é fazer esse trajeto de bicicleta – facilmente alugada em San Pedro. Chegamos em San Pedro por volta das 20h. Jantamos no famoso e descolado Adobe (Caracoles 169). Estava ótimo!

No dia seguinte acordamos cedo e fizemos o Valle del Arcoiris & Petroglifos. Retornamos à cidade por volta de 14h, almoçamos um excepcional salmão no agradável pátio interno do restaurante Blanco, compramos alguns souvenirs, descansamos um pouco e às 16h saímos para o segundo passeio do dia: Laguna Cejar, Ojos del Salar e Tebenquiche. Chegamos por volta das 20h em San Pedro e jantamos no Restaurant Sol Inti (Tocopilla 130). O lugar estava cheio e o ambiente era muito agradável, mas a comida deixou um pouco a desejar e o atendimento foi regular.

Restaurante Sol - San Pedro de Atacama - Deserto do Atacama
Restaurante Sol - San Pedro de Atacama - Deserto do Atacama
Sopa de entrada

No terceiro dia, às 6h30 saímos para as Lagunas Altiplanicas e só retornamos no final do dia, por volta de 17h. Como explicamos no post do passeio, existem algumas variações no trajeto que implicam em horários diferentes de retorno (fiz ambas – uma na primeira visita e outra na segunda). No início da noite fomos ao Etnico, um simpático restaurante na Tocopilla com ótimo custo-benefício e excelente atendimento, mas que infelizmente fechou desde a última visita!

Restaurante Etnico - San Pedro de Atacama - Deserto de Atacama
Restaurante Etnico - San Pedro de Atacama - Deserto de Atacama
Salmão com alcaparras e vegetais
Restaurante Etnico - San Pedro de Atacama - Deserto de Atacama
Frango com molho picante e batatas

Esse foi o dia do fantástico Tour Astronômico que descrevemos no início do post. Na manhã do quarto dia partimos para mais um passeio de dia inteiro – o Salar de Tara. Chegamos no finalzinho da tarde e saímos para um jantar leve: fomos no La Estaka (Tocopilla 418), um maravilhoso restaurante na Caracoles em um ambiente super descontraído.

Restaurante La Estaka - San Pedro de Atacama - Deserto do Atacama
Restaurante La Estaka - San Pedro de Atacama - Deserto do Atacama
Ceviche e sopa de entrada
Restaurante La Estaka - San Pedro de Atacama - Deserto do Atacama

Dormimos cedo, porque a saída para o último passeio – Geysers del Tatio – era 4h da manhã! Retornamos pouco antes de 13h, alugamos bicicletas e fomos conhecer as ruínas mais próximas (a 3km – bem sinalizado!) – Pukará de Quitor. Outra famosa, mas bem mais distante (10km), é a Aldea Tulor. Para os que desejam fazer as duas ou não desejam ir de bicicleta, algumas agências vendem o passeio ou você pode contratar um táxi. Fazemos uma ressalva: se você já visitou as ruínas no Peru, não justifica o passeio, pois a visita é muito semelhante.

Ruinas de Quitor - Deserto do Atacama
Ruinas de Quitor - Deserto do Atacama
Ruinas de Quitor - Deserto do Atacama
Ruinas de Quitor - Deserto do Atacama
Vista do topo das ruínas
Entrada de San Pedro do Atacama - Deserto do Atacama
Portal de San Pedro

Retornamos no final do dia para Santiago, com conexão para Punta Arenas, porta de entrada para a Patagônia Chilena.

Gostou do roteiro e das dicas? Faça suas reservas pelas caixas de pesquisa na lateral, nos links ao longo do post ou clique para reservas de hospedagem no Booking. Você não paga nada a mais por isso e nos ajuda a manter o site. Obrigado!

Thiago Carvalho

Carioca, casado, 33 anos, médico, amante da natureza e apaixonado por viagem, de Itaipava no fim de semana ao Bungee Jumping na Nova Zelândia. Volta de uma viagem com o roteiro pronto para a próxima.

14 Resultados

  1. tikdeviagem disse:

    adorei o post! gosto muito quando ele é todo detalhado! essa viagem para o Atacama deve ser incrível, ainda vvou fazer.

  2. Que máximo seu post!!!
    Revivi o Atacama, um lugar que já fui e ficou muita coisa para eu ter que voltar…
    Valeu.

  3. Ameeeeeeei esse post! O Atacama está no topo da nossa lista de desejos.
    Adorei a dica de roteiro para 5 dias, é exatamente o que queremos fazer.
    Salvamos o post aqui.
    Brigadão!
    Beijos!!

  4. Sou apaixonada pelo Atacama, estou querendo ir em Agosto, o seu post ajudou muitoooo.. É uma riqueza de informações e super detalhado, sempre tive a dúvida onde hospedar. Vou salvar aqui todas as dicas. Obrigada por compartilhar conosco. Abraços

  5. Livia disse:

    Meu irmão foi e mostrou cada foto que fiquei com vontade de ir, agora depois do seu post então… Amei, parece incrivel e super diferente!! Obrigada pelas dicas 😀 Beijos

  6. Dhebora disse:

    Tá aí um dos lugares que mais tenho vontade de voltar! O Atacama realmente me surpreendeu! Fiquei 5 dias por lá também e acho que hoje em dia ficaria uns 7! Seu roteiro está ótimo e geralmente é o que eu indico também. Adorei!

  7. Que nostalgia gostosa lendo esse post! Atacama foi um dos lugares mais incríveis que eu já visitei! Também fomos de bike para Pukará de Quítor, um dos melhores momentos da viagem!!

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