Gastronomia, Cachoeiras & Paz em Visconde de Mauá

Visconde de Mauá é um pequeno distrito de Resende, localizado entre os estados do Rio de Janeiro e Minas Gerais. Com uma população menor que 10 mil habitantes, recebe centenas de turistas nos finais de semana, que buscam a tranquilidade da serra, os deliciosos restaurantes e as encantadoras cachoeiras, tudo isso a mais de 1200 metros de altitude.

Embora Visconde de Mauá seja o nome mais famoso, na verdade, é uma metonímia para uma imensa região formada por três pequenos vilarejos: Visconde de Mauá (mais próximo), Maringá (o mais turístico com maior infraestrutura, a 7km de Mauá) e Maromba (mais próximo de algumas das principais cachoeiras, é o mais longe e alto, a 3km apenas de Maringá).

Quando visitar?
O clima é tropical de altitude, com verão chuvoso e temperatura amena (média 15-25ºC) e inverno frio e seco (média 5-16ºC). Se o seu intuito é mergulhar nas cachoeiras, sugerimos que a ida seja em meados de março e abril ou meados de setembro e outubro, quando a temperatura ainda é amena, mas as chances de chuva são pequenas. Já se preferir aproveitar para caminhadas sem mergulho, romantismo e gastronomia, nada melhor que o período de junho a agosto com temperatura agradável de dia para um passeio, com pouca chance de chuva, e uma noite para degustar um bom vinho ao lado do calor da lareira.

Quanto tempo ficar?
Visconde de Mauá possui muitas opções de trilhas e cachoeiras, mas um final de semana é suficiente para desfrutar um pouco de tudo, incluindo refeições em bons restaurantes, compras de iguarias regionais ou artesanato e conhecer as principais cachoeiras.

Como chegar?
Até alguns anos atrás, o acesso era difícil por uma estrada de terra ruim e perigosa, mas o Governo do Rio finalmente colocou em prática uma proposta antiga de pavimentar a estrada, e transformou-a na primeira estrada-parque do estado, com cuidados rigorosos para a preservação da fauna e flora.

  • Partindo do Rio de Janeiro: 200 km pela Via Dutra (BR-116) sentido São Paulo, seguindo pela RJ-163 na altura de Itatiaia.
  • Partindo de São Paulo: 294 km pela Via Dutra (BR-116) sentido Rio de Janeiro, seguindo pela RJ-163 na altura de Itatiaia.

Se vier de outro estado, o aeroporto mais próximo é o Internacional do Rio de Janeiro (Galeão), de onde sugerimos alugar um carro (alugue aqui), pois a chegada de ônibus é possível, mas cansativa e dificulta o deslocamento na própria região.

Dica: Abasteça ainda na Dutra para fugir de preços abusivos na região e embora a maior parte dos estabelecimentos aceite cartão, sugerimos levar uma parcela em dinheiro, pois não há onde sacar!

Onde ficar?
Os hotéis (veja todos aqui) com as melhores vistas ficam mais afastados da região de Maringá, onde estão alguns dos principais restaurantes da região. Vale lembrar que embora a estrada que liga os vilarejos esteja asfaltada até Maringá, muitas transversais ainda possuem acesso difícil, sobretudo em períodos chuvosos e à noite. Além disso, nos finais de semana do verão e inverno, a região fica lotada e o estacionar pode se tornar um problema . Portanto, sobretudo se for sua primeira visita, sugerimos se hospedar na Vila de Maringá.

Estivemos pela primeira vez em abril de 2008, quando nos hospedamos na Pousada Jardim das Águas. Localizado na via principal, logo antes da chegada à Cachoeira do Escorrega, é um hotel com chalés confortáveis e isolados, distribuídos por um agradável jardim com um trecho onde é possível acesso privativo (aos hóspedes) para banho de rio. Foi ótimo para conhecer as principais cachoeiras sem necessitar do carro.

Jardim das Aguas - Visconde de Maua

Já na segunda visita, em outubro de 2015, ficamos na Pousada Aldebaran. Nosso intuito era descansar e estar perto do centrinho de Maringá. No entanto, reservamos em cima da hora e não havia disponibilidade em alguns dos hotéis mais próximos. A subida para o hotel é muito íngreme e estava chovendo, o que implicava na necessidade de fazer o trajeto de carro. O hotel em si é gostoso, bem conservado, com chalés individuais e isolados. Valeu a visita, mas pelo preço, existem algumas opções melhores.

Na Vila de Maringá, recomendamos a Pousada Chalés do Lago, a sensacional Pousada Infinito (os pais do Thiago foram e amaram!), o Hotel Bühler e a Pousada Recanto da Serra (com quartos temáticos!). Em Maromba, sugerimos a Pousada Casa Bonita e a Pousada Moriá. No caminho Mauá-Maringá, temos o ótimo custo-benefício da Pousada Olho D’Água e da Pousada da Mantiqueira. Por último, se busca um hotel de grande requinte e luxo (embora mais afastado!) a Mauá Brasil é a escolha certa.

O Roteiro
Como já foi dito, estivemos em Visconde de Mauá duas vezes, sendo a segunda por quatro dias para fugir um pouco da rotina estressante do Rio. Na primeira vez fomos em todas as principais cachoeiras e, na segunda, aproveitamos mais os restaurantes e o hotel, uma vez que choveu todos os dias. Dessa forma, elaboramos um roteiro para contemplar a maior parte das viagens para esse paraíso: chegada na tarde do primeiro dia e saída após o almoço do terceiro, completando dois dias inteiros ou um final de semana.

A viagem começa já na subida da serra, logo após deixar a entrada de Penedo para trás. A cada curva uma bela paisagem surge à esquerda!

Estrada - Visconde de Maua

Estrada - Visconde de Maua

Cerca de 45 minutos depois, você chegará à pequena vila de Visconde de Mauá, que dá nome à região. A vila em si não tem grandes atrativos. Um dos pontos mais visitados é o Shopping Aldeia dos Imigrantes, com algumas lojinhas e o tradicional Café Pequeno.

Visconde de MauaCasinhas na chegada a Visconde de Mauá

Caso não tenha almoçado, entre à direita e aproveite para uma autêntica refeição mineira no Gosto com Gosto. De sobremesa, delicie-se no buffet de sobremesas sempre acompanhadas, é claro, de um queijinho minas. Na saída, não deixe de levar um azeite artesanal assinado pela chef Monica Rangel!

Gosto com Gosto - Visconde de Mauá

Gosto com Gosto - Visconde de MauáCostelinha com tutu, torresmo, linguicinha, couve e arroz (e a pimenta da casa!)

Deixe as malas no hotel, relaxe um pouco e saia para jantar. Nossa dica para o primeiro dia é o restaurante Rosmarinus, um dos mais badalados (e caros!) da região. Vale a pena reservar antes (reservamos com uma semana de antecedência e realmente estava lotado!), pois é pequeno e a experiência é imperdível. Tem estacionamento e a decoração é em estilo rústico. O chef é super simpático e faz questão de cumprimentar todos os clientes! Sugerimos a Truta à Visconde de Mauá e o Confit de Pato com amora e, de sobremesa, o merengue italiano. Não se arrependerá!

No dia seguinte, acorde cedo para aproveitar as cachoeiras pela manhã sem muito movimento e com espaço para estacionar o carro. Siga até o final da estrada para chegar na Cachoeira do Escorrega. O acesso é super fácil e logo que avistar, você entenderá o nome: um pequeno paredão de pedra lisinho permite que você escorregue da parte superior até o poço embaixo! Uma delícia…

Cachoeira do Escorrega - Visconde de MauaVista inferior

Cachoeira do Escorrega - Visconde de MauaVista superior

Depois de se divertir, retorne (a pé ou de carro, avaliando a viabilidade de estacionar!) em direção à pracinha da Maromba. Cerca de 1,5km de distância do Escorrega, você avistará a entrada da Cachoeira Véu da Noiva à direita. A bela cascata possui um acesso fácil e a água escorre bela pedra formando o característico “véu da noiva”.

Veu da Noiva - Visconde de Maua

Praticamente em frente, do outro lado da estrada, está o Poção da Maromba. Também com fácil acesso, esse grande poço com profundidade entre 5 e 7 metros é um paraíso para mergulho e, para os mais corajosos, para um salto de quase 10 metros de altura.

Pocao da Maromba - Visconde de Maua

A última cachoeira antes do almoço é a Cachoeira Santa Clara. Infelizmente, não conseguimos ir porque a estrada estava muito ruim. O grande atrativo da cachoeira é a contemplação do imenso paredão por onde a água escorre calmamente até o poço na área inferior. Um chamado à introspecção. Está localizada entre a pracinha na Maromba e a vila de Maringá, no sentido do Vale Santa Clara. A estrada é de terra, mas bem sinalizada.

Para o almoço, vá na vila de Maringá. Situada em ambos os estados, é separada por uma pequena ponte e pedestres na área mais movimentada ou acessível de carro alguns metros antes. Os restaurantes do lado mineiro são mais requintados e elaborados, enquanto os do lado carioca mais simples e baratos.

Dica: estacione no lado mineiro, costuma ter mais vagas, embora a pista seja de terra.Maringa - Visconde de Maua

Maringa - Visconde de Maua

Que tal uma cerveja importada com um prato alemão ou uma truta de almoço no agradável ambiente do Bier Garten? Ou então uma refeição mais rápida como uma truta salmonada acompanhada da autêntica Serra Gelada, cerveja regional, no delicioso Café Maringá?

Bier Garten - Visconde de MauaBier Garten: Cervejas russa e tcheca

Bier Garten - Visconde de MauaBier Garten: Salsicha com chucrute e salada de batatas

Bier Garten - Visconde de MauaBiergarten: Truta com molho de pitanga e trouxinha de cogumelos

Cafe Maringa - Visconde de MauaTruta salmonada com raviolli de espinafre acompanhada da Serra Gelada Dourada

Aproveite o resto da tarde para descansar, tomar um café, provar doces e patês regionais, comprar algumas lembrancinhas ou artesanato. Para jantar uma opção é uma massa acompanhada de uma boa garrafa de vinho no Casa di Pedra ou a famosa truta do Restaurante Borbulha, ambos na Alameda Gastronômica de Maringá. O ponto alto do segundo é o excepcional atendimento, a simplicidade do chef Edison e a imensa coletânea de LPs, que podem ser tocados a pedido dos clientes (foi uma nostalgia…). Comemos as trutas Elis e a Clara Nunes e estavam gostosas, mas não atenderam às nossas expectativas!

No terceiro dia pela manhã, informe-se no hotel sobre as condições da estrada para as Cachoeiras do Alcantilado, uma sequência de 9 quedas e poços ao longo de quase 2km de trilha, sendo muitos abertos para mergulho e relaxamento. A estrada para o Alcantilado fica entre Maringá e Mauá e tem 5km. Quando fomos estava horrível, mas o carro sobreviveu. Dependendo do estado, a alternativa é fazer a pé ou de bicicleta alugada! De um jeito ou de outro, o passeio é sensacional!

Alcantilado - Visconde de Mauá

Alcantilado - Visconde de Mauá

Alcantilado - Visconde de Mauá

Alcantilado - Visconde de Mauá

Alcantilado - Visconde de Mauá

Alcantilado - Visconde de Mauá

Alcantilado - Visconde de MauáVista do topo

Alcantilado - Visconde de MauáA última cachoeira vista da estrada

Uma excepcional opção para o almoço é o também badalado e conceituado Restaurante Babel. Ainda não fomos, mas um casal de amigos esteve recentemente e adorou tanto o lugar quanto a comida. Localizado no Vale do Pavão -entrada do lado oposto à do Alcantilado -, é uma ótima pedida. Assim como o Rosmarinus, sugerimos reservar com antecedência. Outras alternativas são as sugestões do dia anterior em Maringá, o Gosto com Gosto se não tiver tido a oportunidade na chegada ou passar a tarde na finlandesa Penedo (veja o roteiro aqui).

Se for ficar mais tempo, deixamos duas sugestões de trilhas que não fizemos (ainda!) em Visconde de Mauá:

  • Trilha da Pedra Selada: 4h de caminhada no total, com bela vista do Pico das Agulhas Negras e das Prateleiras. Nível: moderado.
  • Trilha do Pico das Agulhas Negras: mais de um dia de caminhada e necessita de guia. Nível: difícil.

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Silvia Carvalho

Carioca, casada, 29 anos, médica, sempre com uma máquina fotográfica na bolsa, apaixonada por viajar e degustar as comidas típicas locais.

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